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sábado, 3 de outubro de 2009

Satorir

Escrito bem antes de 2004. Retirado do arquivo pessoal de textos do autor, que se encontrava no domínio GeoCities e que, por decorrência do cancelamento do serviço de provisão gratuita de espaço online do mesmo, estava em perigo de extinção digital.

[excertos do Dicionário Etimológico Languas Pósodernas (3) - amglês, brasílico e guatemedjuco, de Posbor e Glia, d.a. Meeklândia, 00.04560,78, 2173. Com exceção das citações e dos itálicos, a tradução é do texto original.]

SATORIR

Etimologia breve
Origem

A primeira citação do verbo "satorir" data de 2043, na dissertação de nirvanado de Filómeno Bolshoi, na Bodsátvica Academia Budista (BAB) de Palmas, no estado de Tocantins do (então) Brasil. Em sua primeira acepção, de "atingir o satori", foi usado com extrema cautela por Bolshoi; porém, a simplicidade de uso fez com que, paulatinamente, o neologismo fosse cada vez mais citado em obras posteriores. No decorrer de apenas 10 anos, as citações em obras congêneres cresceu em ritmo geométrico, de 3 para 567. O próprio "ó-mula-das-serras-azuis" Guigui Camargo o utilizou com este mesmo significado (e com inconfundível declinação incorreta) na sua célebre frase: "Dizem que satorio... e eu só rio".

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Uso popular

Com a Anistia Leonina de 2079, podemos ouvir, no discurso do neuroteólogo Menes Meneses: "... e asque propêm ilusôs, digam-lhes: estamo atentos e satoriados." Nesta acepção de "não ser, de maneira alguma, suscetível de ser iludido; desperto", foi que "satorir" passou para o discurso popular, assumindo significados mais do que comportava sua original conotação espiritual. Os versos de Tina Lamberte gravaram a palavra nas almas mais ardentes: "Satoró, satoró, satoró / caim tus ropas e eu ací [....]"

Em meados de 2150, "satorir" tinha cerca de 23 significados distintos, entre eles "estar livre de doenças oftamológicas", "ter uma visão justa de mundo", "comportar-se de acordo com padrões éticos inalienáveis", "experimentar um estado de êxtase químico", e outros. Substantivado, o verbo passou a fazer parte de nomes de indústrias (Satoria, indústria de produtos de limpeza e vinho), AVIs (SATORI, SaTorystória, Meeklândia), distinções diplomáticas e religiosas, celebrações e festas civis, nomes próprios (Satorélena, Sator), veículos orbitais (o Satór't de Glivon Kelvin) e práticas sexuais heterodoxas.

[....]

Em 2167, a Associação dos Mundos Cristãos do Sol protestou veementemente contra a inclusão de 45 neologismos com o radical "sator-" no léxico mexicano, alegando a sua "muta granda igaliánza colo palevar 'satan' [....]"; pedido este negado.

Usos atuais

Palerta Umbar nont askeó me ta define inaxata ta relation beetraim tattoo paries. Aldo me fenso que neam satored, tara sebim considera ta moron lata caralió.
Wicca Tsur-lilú

Domentetoigostasatorantuum, sarapiquáratara?
Pustacamustainstitusta (HILI - Highly-Inflected Languages Institute)

Ai, ce calour... poesce estote satoriremos a la uontás pir pir pintim caipir, cé Deus!, deusdará manhatam préstel di carne.
Blec Maria Coleridge

Cê? As putas? As ónicas criaturas satoradas teste país bostalho estas porras aci [....]
Maria Claria Deeneez

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[segue a conjugação do verbo satorir extraído da Gramática? Universal? Brasileira?, de 2147; famosa por incluir as já obsoletas e abandonadas formas verbais em tu e vós, vestígios do final da época colonial do século XX]

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Traduções


As traduções brasileiras de textos do zen deixam muito, muito a desejar. Neste, e nos próximos textos, eu vou esclarecer o porquê.

Em muitas delas, eu somente posso acompanhar o processo da metade para a frente: do japonês, que não entendo, ele vai para o francês ou inglês, digamos, e depois é retraduzido para o português - e é neste segundo passo que consigo perceber a inépcia, em muitos casos. Fico imaginando as barbáries que podem acontecer nas primeiras traduções "oriente-ocidente" e temo e tremo.

Eu brinco, evidentemente. Costumo partir do pressuposto que os tradutores são pessoas que desejam traduzir o texto e possuem, além de um certo conhecimento formal do processo, uma idéia do que o texto fala, para o momento - que certamente aparecerá - em que o tradutor escreverá algo de seu, por não poder traduzir sem trair.

A questão é que más traduções podem, muitas vezes, ser bem menos desejáveis do que texto nenhum. Para quem tem paciência de encarar o texto supostamente mal-traduzido e quiser pesquisar e saber mais, há, pelo menos, um pouco de tesão e divertimento no meio. É, divertimento intelectual, pode soar estranho mas há. Mas para aqueles que querem ler, pura e simplesmente, e ter acesso ao que um mestre do zen disse, ou deixou de dizer, pode ser um grande impedimento.

Penso especialmente em Dogen. Dogen é um escritor fabuloso, do pouco que pude captar, de um estilo único e delicioso que interessaria, em alguns casos, até mesmo a quem não quer ouvir falar de budismo ou zen. Textos claros e simples, escritos para discípulos, leigos ou não, misturam-se com trechos de poesia e técnica e visão assustadoramente modernas, e dez páginas adiante você pode encontrar uma confissão no melhor estilo augustiniano, para então, em outro lugar, ver instruções detalhadamente obsessivas sobre como escovar os dentes e demais quetais de um mosteiro.

(continua...)