domingo, 3 de abril de 2011

Hanamatsuri



Neste próximo final de semana ocorrerá o primeiro Hanamatsuri - Festival das Flores - em Florianópolis. O primeiro cartaz trata do almoço que irá ocorrer nas dependências do restaurante Daissen durante o festival.

Segue a programação:

8: 00 horas - abertura
8:30 horas – Palavras do Presidente da Associação Nipo Catarinense – Luiz Kiyoshi Nakayama e do Monge Genshô
8:45 horas – Cerimônia cívica – Brasil / Japão
9:00 – 9:30 horas – Cerimônia religiosa em honra às vítimas da catástrofe no Japão
9:30 - 10:00 horas – Apresentação de Tai-Chi-Chuan – Dr Yu Tao
10:00 –10:40 horas – Orquestra Escola da Fundação Franklin Cascaes - Maestro Carlos Alberto Vieira
11:00 – 11:30 horas - Aikido infantil – Kawai Shihan Dojo – Fábio Sensei
11:30 – 12:00 horas – Aikido Adulto – Kawai Shihan Dojo
12:00 – 14:00 horas – Banda Hatenkoo, Desfile Cosplay, Animekê – Ricardo Hayashi
14:00 às 14:30 horas – Kenjutsu – Instituto Niten
14:30 às 15:00 horas – Apresentação de Kung Fu ( Evando Seido)
15:00 às 16:00 horas – Banda Amor a Arte
16:00 às 16:30 horas – Nantyusoran - alunos do Nihongo e membros do Shimadaiko
17:00 às 17:15 horas – Shamisen – Ryoko Fukuhara
17:15 horas – Apresentação de Taiko com o Grupo Shimadaiko
17:45 – Cortejo de enceramento com a imagem de Buda menino

No Espaço do Templo Daissen Ji

16:00 às 17:00 horas – Cerimônia do Chá – Grupo Wullin Práticas Orientais

Espaço Oficinas:

14:30 às 15:30 horas – Kenjutsu – Instituto Niten
15:00 às 16:00 horas – Oficina de Taiko com o Grupo Shimadaiko
9:00 às 15:00 horas - Origami para comunidade –confecção de Tsurus em homenagem às vítimas da catástrofe no Japão – Paula Hidemi Kaneoya, Jackson Adriano, Yuina Takase

Stands Culturais: Shodo, Nihongo, Mangá, Taiko, Softball, Reiki, Ikebana, Forja da Esapada Japonesa.

Stands de Vendas: Comunidade Zen Budista Florianópolis, Missão Jovem, Centro de Estudos Budista Bodisatva, Instituto Niten, Shiatsu MiMa, ArtBonsai, Origami, Monte Fuji, Torii, Olaria de São José, MangaNiac, Nyanco, Cerâmica Marina Takase, Sushi Seiji e Jussara, Fernando Pitinati

Stand da Secretaria Municipal de Esportes

Apareçam e façam deste evento uma primeira edição de muitas por vir!

terça-feira, 15 de março de 2011

Listas e mais listas


Um dos pontos mais atraentes e charmosos do budismo "original", theravada, é que ele é cheio de listinhas: desde as listagens mais famosas, como o Nobre Caminho Óctuplo, as Quatro Nobres Verdades, os Cinco Agregados, até listinhas mais desconhecidas do praticante comum, como as 32 marcas físicas de um Buddha (que não o deixam muito atraente, aos meus olhos) ou os 12 elos da Corrente de Originação Interdependente, e demais quetais.

O charme destas listinhas, especialmente para pessoas com um pendor para a divagação e especulação, é que elas ajudam a ajustar e a focar melhor a vista, especialmente em momentos em que a prática parece dar um nó*; aqueles momentos em que, olhando em retrospecto para a sua prática meditativa, você se pergunta: "mas então, do que exatamente estamos falando?", e tcharám! Já que o buddha Śākyamuni não se encontra para conversar pessoalmente contigo... Algumas vezes nem mesmo um amigo mais experiente está disponível.

*(São também indicadas para os praticantes iniciantes que se apaixonam demasiado pelo suposto lado paradoxal da prática do zen, por exemplo - lembre-se, d. Maria, que por trás de um paradoxo sempre há uma lógica, agachadinha.)

Em uma cultura de transmissão oral, como era a dos primórdios do budismo, a formulação de listas e a repetição de fórmulas e frases feitas eram as técnicas mnemônicas mais utilizadas. Passe os olhos nos sutras budistas mais antigos e veja por si mesmo: a fórmula que Śākyamuni utiliza para expressar o seu Despertar, por exemplo, é praticamente idêntica em dezenas de ocorrências. Algumas vezes é maçante, e em outras é elegante: ajuda a criar um discurso consistente e atraente pela sua suposta simplicidade. As mesmas técnicas são também utilizadas em livros originalmente transmitidos oralmente, como os homéricos Ilíada e Odisseia, e (segundo alguns estudiosos) em muitas partes dos livros iniciais do Velho Testamento cristão, ou da Tanakh judaica.

Estas listinhas são tão úteis - "profícuas" - quanto uma lista de compras no supermercado, ou o hábito de possuir uma agenda para anotar a hora do dentista. Alguns se orgulham de ter uma boa memória, e de não precisarem ter de apelar para recursos externos para complementá-la. Na mitologia budista, o grande memorizador era o primo, discípulo e secretário do Tathāgata, o belo Ānanda, de cuja memória puderam-se fiar as inumeráveis suturas. Podemos imaginar, contudo, que o processo tenha sido um pouco mais humano: Ānanda, o savant, tendo suas memórias complementadas pela reunião de centenas de veneráveis bhikkhus - como um grande congresso acadêmico, mas sem coffee breaks. Memória apenas por memória: a temos e a desejamos mais. De um ponto de vista budista, porém, a pergunta é: memória para quê? Para orgulhar-se da mesma, ou para mantê-la abarrotada com as inevitáveis superfluidades da vida? Se estamos em déficit de algo, contemos com as facilidades que possuímos: tudo depende do uso que poderemos dar, à memória e às facilidades.

Ninguém exige, ou deveria exigir,de um praticante budista que ele memorize listas e coleções de itens; o valor delas reside somente em seu poder de "poder ver melhor", de ter mais clareza na prática cotidiana, e depende de circunstâncias e contextos. Para um professor ou instrutor tal necessidade é maior do que para um praticante leigo: mas não porque aquele sabe mais e, portanto, é "melhor", e sim para ampliar um repertório de ferramentas a ser utilizado parcimoniosamente, em vista de tal ou tal pessoa em tal ou tal lugar. Em vários momentos de seus sutras mais antigos, e em algumas formulações mahayana, Śākyamuni afirma o valor de ter uma "visão correta", um ponto de vista "correto" sobre o dhamma, mas para logo depois, então, reassegurar: o apego a um ponto de vista específico é tão improfícuo, para o Despertar, quanto a ignorância.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Próximos eventos da CZBF

Este ano a Comunidade Zen-Budista de Florianópolis estará de vento em popa: todos aqueles que quiserem ter a experiência de fazer um sesshin - um retiro - ou um zazenkai - um dia de prática - terão oportunidades de sobra.


e nos dias de carnaval um sesshin, com a presença mais que especial do roshi Saikawa. Ótima oportunidade: embora residente em São Paulo (Busshin-ji), ele está sempre para lá e para cá, e tê-lo conosco é um privilégio, embora breve.

Confira sempre a página do Daissen-ji e fique de olho nos próximos!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Em poucas palavras


Meu amigo,

e quem disse que ler Dōgen é necessariamente difícil, coisa para literatos & eruditos & Despertos & afins? É assim que ele conclui o seu Zazengi, depois de dar intruções para o zazen shikantaza que são repetidas ipsis litteris 800 anos depois:

坐禪は習禪にあらず
大安樂の法門なり
不染汚の修證なり

zazen wa shūzen ni arazu,
dai anraku no hōmon nari,
fu senna no shushō nari.

"Zazen não é habituar-se ou aprender a fazer zen [dhyāna, "meditação"]; é o portal-do-dharma da grande paz e felicidade, é a prática-prova imaculada e pura."

"Prática-prova" é a minha inocente tradução de um dogenismo: ele coloca lado a lado "prática" (修 shu) - a prática budista, a prática da meditação virtude etc. - e "prova, verificação" (證 shō) - neste caso a "verificação" por si mesmo do Despertar. Não se trata de prática para alcançar o Despertar, e não se trata de um Despertar depois da prática.

Mensagem a um amigo

Você diz achar engraçado, ou esquisito, quando eu te digo que, de alguma forma, você já experimentou o que eu costumo - lástima! - chamar de "zazen verdadeiro".

(Lastimo por saber que, falando assim, vem logo à cabeça "zazen falso", o que não existe. Ou há zazen ou não há zazen; zazen ou não zazen, eis a questão. O "zazen verdadeiro" serve apenas para delinear os momentos, raros ou não, em que não estamos simplesmente sentados tentando fazer zazen. Mesmo estar "sentado tentando fazer zazen" já é fazer zazen, porém.)

Não se admire: não estou falando de algo muito além algures, não estou falando de algo especial e do qual eu tenho testemunho e propriedade. Se você usar a sua cabeça e observar bem, verá por si mesmo e pela sua prática que o tal do "zazen verdadeiro" não é difícil de ser alcançado: não é um prêmio ao longo de um árduo e esforçado caminho, algo ao ser alcançado por último.

Olhe! Observe! Você sabe do que eu estou falando. Mesmo que tenha sido por um brevíssimo momento, em qualquer lugar que seja, você já o vivenciou. Mesmo que você não tenha compreendido muito, ou sequer pensado a respeito, sem que você queira ele já se diluiu e está lá, sombranceiro, junto com o seu zazen. Sem querer, ele se tornou uma lembrança difusa, até mesmo inconsciente, mas uma lembrança costurada e amarrada profunda e intimamente. Se você deixar, esta vivência te arrastará novamente para ela. Se tentar ir atrás, não a alcançará jamais.

Vivenciar este "verdadeiro zazen" não é sinônimo de tarefa cumprida. É, na verdade, o começo. Quando você consegue discernir, por si mesmo, que estes delicados e raros momentos não estão sobre a sua jurisdição e controle, é um bom sinal - eles são tão fugidios e escorregadios como um sabonete redondo molhado. O máximo que você pode fazer - uma das possibilidades - é continuar com o zazen, o real zazen sem objetivos - nada a procurar, nada a encontrar.

Neste sentido é que eu digo a você que não se trata de algo especial, ou o tal do prêmio merecido. Se você for uma pessoal "normal", o que creio que é o caso, não se trata de nada que vai transtornar ou mudar radicalmente a sua vida. É bem capaz que, alguns poucos minutos depois de levantar do tal "verdadeiro zazen", você se veja novamente com a sua irritação, com a sua raiva, com o seu querer demasiado apaixonado. A corrente continua fluindo, meu caro; não se engane achando que há uma fácil panacéia. É esta discrepância entre a sua vida cotidiana e o "verdadeiro zazen" que é o terreno da nossa prática cotidiana. A prática de cada um.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Grande tolo

Ryōkan Daigu é uma das figurinhas mais lendárias e simpáticas do zen japonês; uma espécie de eremita e errante, um tanto avesso à vida sacerdotal, vivendo em sua cabaninha de telhado de palha. Nome de monge bem dado ("grande tolo com um bom coração"): Ryōkan gostava de tomar umas biritinhas com os camponeses da vizinhança, ou então sozinho, escrevendo poemas em sua cabana - pelos quais ficou conhecido, mais tarde. Também gostava de brincar com a criançada, e conta-se que muitas vezes esquecia de fazer a sua ronda de esmolas, de tão entretido que estava - e ficava sem comer. Seu professor realmente soube escolher um nome-do-dharma à altura.

Estes são os "59 itens que Ryōkan compilou para ter o comportamento à altura de um monge budista, lembrando, como mestre Chao-chou dizia, o budismo não é o que a pessoa prega ou fala, mas o que faz. É notável que a maioria de suas auto-impostas advertências estão ligadas ao ato de falar [....]"

"Tomar cuidado para:
- não falar demais;
- não falar rápido demais;
- não falar sem alguém perguntar;
- não falar gratuitamente;
- não falar com as mãos;
- não falar sobre assuntos mundanos;
- não retorquir rudemente;
- não discutir;
- não sorrir condescendentemente às palavras de outros;
- não usar expressões chinesas elegantes;
- não se vangloriar;
- evitar falar diretamente;
- não falar com ar de quem sabe tude;
- não pular de um tópico para outro;
- não usar palavras enfeitadas ou pomposas;
- não falar de eventos passados que não podem ser alterados;
- não falar como um pedante;
- evitar perguntas diretas;
- não falar mal dos outros;
- não falar grandiloquentemente da iluminação;
- não fazer bagunça quando bêbado;
- não falar de forma desprezível;
- não gritar com crianças;
- não tecer histórias fantásticas;
- não falar quando zangado;
- não deixar subentender nomes importantes;
- não ignorar as pessoas a quem você está se dirigindo;
- não falar santimonialmente dos deuses ou dos budas;
- não usar discurso adocicado;
- não usar discurso adulador;
- não falar de coisas das quais você não tem conhecimento;
- não monopolizar a conversa;
- não falar de outros pelas costas deles;
- não falar convencidamente;
- não denegrir os outros;
- não cantar rezas ostensivamente;
- não reclamar da quantidade da doação;
- não dar sermões muito eloquentes;
- não falar afetadamente como um artista;
- não falar afetadamente como um mestre do chá;
- oferecer incenso e flores para os budas;
- plantar árvores e flores, limpar e aguar o jardim;
- regularmente usar moxa para as pernas;
- evitar peixes oleosos;
- selecionar comidas leves e evitar comidas gordurosas;
- não dormir demais;
- não comer demais;
- não dar uma cochilada muito longa à tarde;
- não ficar exausto;
- não ser negligente;
- não falar quando você não tiver nada a dizer;
- não esconder nada em seu coração;
- sempre beber o saquê quente;
- raspar sua cabeça;
- aparar as unhas;
- escovar os dentes e usar um palito de dentes;
- tomar banho;
- manter sua voz clara e nítida."

"[....] Mestre Ryōkan estava sempre esquecendo as coisas. Um número de cartas a seus amigos sobreviveu, cheia de desenhos de objetos que ele havia esquecido em algum lugar e lhes perguntando se eles haviam visto os objetos em questão. Às vezes ele mendigava na mesma casa, duas vezes no mesmo dia, tendo esquecido sua visita anterior e era repreendido pela dona da casa por ser cobiçoso. Aqui está uma outra lista que ele fez:

Coisas para levar com você: chapéu de algodão, toalha, tecido, papel, leque, moedas, bolinhas de gude e bolas de jogar.
Necessidades: chapéu de bambu, material para a perna (como uma meia), luvas, cinto, bastão, manto pequeno.
Para peregrinações: roupas, capa de chuva de palha, tigela, saco.
Lembrete: tenha certeza de ler isto antes de sair ou você vai ficar em apuros!"

entre aspas: da revista Flor do Vazio, ano 7 vol. 1, verão de 2003; pg. 72

sábado, 6 de novembro de 2010

Falar, instruir, e as cercas de roseiras-bravas


Há uma dificuldade bem clara em falar do "dharma": qualquer declaração fixa sobre ele parece sempre a ponto de resvalar e surgir em um outro lugar transmutada exatamente no contrário, que por sua vez pode ir passear nas ilhas Cayman e deixar você em apuros com a Receita.

É fácil instruir os outros a respeito do zazen - como fazê-lo, que problemas encontrar, como lidar com eles. Aliás, instruções sobre o "verdadeiro zazen" da nossa escola Sōtō - o shikantaza - acabam sempre monotemáticas e soam as mesmas em todo lugar, diferenciando-se somente pelo estilo peculiar de cada pessoa que instrui.

Graças ao meu bom daimon eu somente instruo pessoas com relação ao zazen, e nada mais. Posso ir apenas até onde a minha experiência pessoal sugere similaridades; piso somente em terreno conhecido, e sugiro a outros que venham conhecê-lo.

Alguém que tenta falar sobre o "dharma" sem conhecê-lo, por mais inteligente que seja, acaba sempre se metendo em confusões - verbais ou não. "Conhecer o dharma" não se trata de conhecer uma doutrina ou teoria, e de saber argumentar da "maneira certa" com relação a ele: conhecer o dharma é ter os seus olhos trocados por olhos de um Buda, como dizia Dōgen zenji.

(Neste sentido as "palestras do dharma" ou teishō de um professor podem soar como óbvios, ou até mesmo tolos.)

Instruir os outros, mesmo da forma mais básica, é como cortar caminho em mata cerrada, abrir picadas. Você é ora cercado de um lado, ora de outro, ora precisa forçar adiante, para não ficar preso - mesmo sem ter certeza se aquele era realmente a maneira certa. ora você precisa abrir caminho para si mesmo, ora abrir para outros que vêm atrás, ora seguir atrás de outrem, mesmo contra a vontade. Há caminhos conhecidos, outros desconhecidos; trilhas batidas e paredões de verde.

Já o verdadeiro zazen é como chegar em casa: nada mais a fazer, nem a dizer.
E isso não porque você está morto, ou em coma!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Agachamento, para os quadris

A maior dificuldade para sentar-se numa postura de pernas cruzadas não vem, como muitos pensam, dos joelhos, mas sim dos quadris.

Os joelhos são uma dobradiça bidimensional: para trás e para frente. Tentar forçar os joelhos para sentar em um meio lótus, ou lótus completo, é pedir para ter complicações mais tarde. Cuide muito bem deles.

Já o quadril tem uma rotabilidade muito maior. A chave para sentar-se mais confortavelmente nas posturas mais estáveis, prescritas para uma sessão de meditação, é aumentar a flexibilidade dos quadris.

Vários exercícios são bons para isto, e podem ser facilmente encontrados, ou descobertos. Quero contar apenas sobre um "exercício" específico, que por sua praticidade e excelentes resultados - contatados pessoalmente - pode ser aplicado a qualquer hora e em qualquer lugar, sem necessidade de implementos ou ambientes especiais: agachar-se.

Experimente agachar-se toda vez que precisar abaixar-se - para pegar aquela panela que fica na gaveta em baixo da pia, por exemplo. Ou mesmo para usar a privada, como é de praxe em alguns países asiáticos. (Dica: não tente se equilibrar com os dois pés na beira do vaso sanitário, qualquer escorregadela pode ser fatal.)

O simples fato de trocar as abaixadas pelas agachadas - sem nem mesmo precisar contar, tantas vezes por dia quando for preciso - provoca mudanças na flexibilidade dos quadris. No começo pode ser dolorido, travado, ou até mesmo humilhante saber que você não consegue mais fazer algo que até os bebês fazem. Não desista. Continue, e paulatinamente você terá mais facilidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Monges, monjas e sacerdotes (?!) no zen ocidental


Among the listservs to which I belong is one for Zen teachers in the West. Right now there is a bit of a debate going on over the usage of monk (nun) or priest for those ordained within the Japanese inheritance. This is a bone of contention because "normative" ordained Buddhist leadership follows the vinaya tradition established by the Buddha himself. A heavy claim and a heavy load for those who believe there are other reliable models of leadership on the Buddha way.

Principal among the upstart traditions are the Japanese ordination models, which built upon a set of precepts found in the Brahmajala, a Chinese apocraphal sutra that had and actually continues to have an enormous following throughout East Asia. In much of East Asia these vows are taken by monks, nuns and laypeople. However through a somewhat complicated set of circumstances variations on these vows become, first how monastics were ordained in Japan, starting from the thirteenth century, and, as the essay below details, morphed into what I suggest is best called a priestly model. Those ordained in this model defend their ordination (I should say we who are ordained in this model defend our ordination) as fully equal to monastic ordination.(1) In my book Zen Master Who? I explore this a bit further. The relevant chapter is copied below...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Zazen: a grande & maravilhosa perda de tempo

Ligo a televisão, no quebrar da madrugada, para varar os olhos com imagens estalantes, e cansar os ouvidos com histórias cortadas pela metade. Uma emissora especializou-se em transmitir documentários americanos como se se tratasse da realidade do nosso país: ali eu paro. Falam sobre os centavos de dólar, os pennies: como cada penny custa quase o dobro para ser produzido - cada moeda sai por 2 centavos de dólar - e dos argumentos contra e a favor para se retirar os pennies - e talvez todos os centavos - de circulação na economia nacional (EUAense).

Por volta dos anos 80, talvez nos 70 do século passado, nasce um menino. Ele tem cabelos escuros, e um rosto redondo. Talvez tenha se interessado por números desde pequeno, talvez não; o que sei é que, muitos anos depois, ele vai estudar no MIT, o bom e velho MIT, o MIT de onde todos saem conhecidos e reconhecidos. Podemos imaginar as suas noites em claro, chafurdando em livros, olhos cansados na tela do laptop, muitas xícaras de café. Talvez namorasse um pouco, não sei dizer. Formou-se magna cum laude? Também não sei. Só sei que, na primeira década do século XXI, ele aparece em um documentário sobre os pennies americanos. Onde foi mesmo que eu escutei isto antes? Ah, lá em cima.

Bem, ele é a favor de tirar os pennies de circulação. Repasso seu argumento para aqueles que me leem: um americano médio espera, em média, o seu troco médio em centavos por médios 2 segundos. Somando em média para cada médio americano, temos uma média de 2 horas e médios 40 minutos por anos (médios, descontados os anos bissextos) de esperas medianas por trocos de centavos. Como time = money, se esta espera média de duas horas e 40' por ano for multiplicada pelo número médio de trabalhadores americanos empregados, pelo valor médio da hora de trabalho (17 dólares), temos aí um prejuízo médio da ordem de centenas de milhões, se não mais, somente para lidar com moedinhas de centavos.

Não é genial? Ele, certamente, poderia ser ainda mais genial se os americanos parassem de usar centavos e transferissem todo o dinheiro que deixam de movimentar para subsidiar mais pesquisas como a dele.

Como ele é um cara inteligente, ele comenta rindo: ah, é claro que gastamos muito mais tempo falando no celular ou passeando no parque. Para ajuda-lo um pouco, eu acrescento mais algumas coisinhas: esperando o sinal abrir, o elevador chegar, a descarga empurrar água abaixo a nossa contribuição pós-prandial, o tempo para chegar na maquinazinha de café ruim "espresso", dando bom-dia para a faxineira, amarrando o cadarço do tênis.

[A SuperInteressante, por sinal, veiculou umas duas páginas, semanas atrás, com justamente esta ideia: quanto tempo gastamos, em média, no total de uma vida média (=70 anos), fazendo as medianas coisas rotineiras, desde dormir (23 anos) até esperar páginas baixarem na internet (esqueci).]

Se você me leu até aqui - e de onde você tirou a paciência ou o interesse, eu não sei dizer -, gastou, em média, cinco minutos para faze-lo. Congratulações: você acabou de perdê-los. Poderia estar fazendo a economia norte-americana girar, no mundo ideal dos pensadores MITeanos. Se, todo dia, você gastar cinco minutos lendo pessoas como eu, lá se foram 30 horas e meia em um ano. Você pode trocar estes cinco minutos de leitura por cinco minutos de zazen. Cinco? Melhor: faça-o 40 minutos - 20 de manhã, 20 de noite, ou um somente, mais longo. Coisa fácil, de principiante, é o tempo que praticamos nas quartas e sextas na CZBF.

Você se surpreende com as histórias do Buda Xaquiamuni que sentou-se durante uma semana debaixo da figueira? Bem, imagine-se você sentado por dez dias: isto é você, com os 40 minutos acima, por um ano - médio.